quinta-feira, 12 de julho de 2012

Arte, visibilidade[s]



"Toda arte é pública. A eficiência da rua como lugar para uma manifestação é um outro problema. Como eficiência em arte se mede pela capacidade de desdobrar sentidos e não pela quantificação de audiência, estar ou não na rua é um atributo específico de cada manifestação, seja de que século for, e o simples fato de ocorrer na rua em absoluto lhe garante esta capacidade" 

José Resende


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imagem
José Resende; "O Passante", 1996; aço corten,1200 x 90 x 400 cm
 Instalado no Largo da Carioca, Centro, Rio. de Janeiro

sábado, 23 de junho de 2012

maisvaliapoesia

"maisvaliapoesia"; Raul Motta/LUGAR SOCIAL, junho, 2011
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maisvaliapoesia

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poema ready-made
16,0 cm x 23,0 cm x o,7 cm
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objeto ativo para leitura-performance
dois livros formato 16,0 cm x 23,0 cm; 108 / 110 págs.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Graffiti









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"O dinheiro foi inventado para que os homens não precisassem se olhar nos olhos." 
[ Jean-Luc Godard; in: "Film Socialisme" ]

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[ fotos LUGAR SOCIAL / Raul Motta ]
Centro, Rio de Janeiro

quarta-feira, 25 de abril de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Schopenhauer Educador

inscrição Situacionista

"Todos sabemos, em certos momentos, que os maiores trabalhos de nossa vida não foram realizados senão para nos desviarmos de nossa tarefa real e que gostaríamos de poder esconder a cabeça num recanto qualquer, onde nossa consciência de cem olhos não pudesse nos descobrir; sabemos que concedemos muito cedo nosso coração ao Estado, ao lucro, à vida mundana ou à ciência, a fim de não mais possuí-lo; sabemos que nos sujeitamos a um duro trabalho diário com mais ardor e irreflexão do que a vida exige, porque nos parece necessário, antes de tudo, não ter consciência de nada. A pressa é geral, porque todos querem escapar de si mesmos, é geral também nossa maneira temerosa de disfarçar essa pressa porque queremos parecer satisfeitos e porque gostaríamos de enganar a respeito de nossa miséria observadores mais perspicazes; geral ainda a necessidade de ornar a vida com novos [sic] explosões verbais, a fim de cercá-la com a confusão barulhenta de um parque de diversões. Todos conhecem esse estranho estado no qual afluem subitamente lembranças desagradáveis que nos esforçamos em expulsar de nosso espírito por meio de uma gesticulação violenta e gritos, mas os gestos e os gritos da vida universal deixam pressentir que nos encontramos todos e constantemente nesse estado, com medo de nos relembrar e de entrar em nós mesmos. O que é, portanto, que nos importuna tão frequentemente? Qual é o mosquito que não nos deixa dormir? Vivemos num mundo assombrado, cada instante da vida tem algo a nos dizer, mas nos recusamos a escutar essas vozes irreais. Na solidão e no silêncio, temos medo que um cochicho fira nossos ouvidos, por isso odiamos o silêncio e procuramos nos aturdir por meio da vida em sociedade."

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F.W. Nietzsche [1844-1900]
In: "Schopenhauer Educador"; trad. Antonio Carlos Braga e Ciro Moranza; São Paulo: Editora Escala, s/d; pp. 62-63

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Contrastes


"La Grande Jatte"; 
Paris, 1884, pintura de Georges Seurat
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Dependentes de crack ocupam parque após operação do poder público na cracolândia; 
São Paulo, Brasil, 2012; 
fotografia de Márcio Fernandes/Agência Estado

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foto-montagem 
LUGAR SOCIAL / Raul Motta 

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

educação e mobilidade [ * ]






“A mobilidade no espaço permanece um ideal inacessível a muitos, enquanto é a primeira condição para uma educação real e uma apreensão concreta da vida social. Quanto à mobilidade no tempo, existem duas dimensões muito diferentes inicialmente, na aparência, mas muito estreitamente complementares. De um lado, aprender a se deslocar no tempo, aprender a história, é educar o olhar focado no presente, prepará-lo, torná-lo menos ingênuo ou menos crédulo, torná-lo livre. De outro lado, escapar, na medida do possível, aos constrangimentos de idade é a forma mais autêntica de liberdade. A educação continua sendo a melhor garantia. Em toda verdadeira democracia, a mobilidade do espírito deveria ser o ideal absoluto, a primeira obrigação. Quando a lógica econômica fala de mobilidade é para definir um ideal técnico de produtividade. É o ponto de vista inverso que deveria inspirar a prática democrática. Assegurar a mobilidade dos corpos e dos espíritos o mais cedo e pelo maior tempo possível levaria a um excedente de prosperidade material.

Nós precisamos de utopia, não para sonhar realizá-la, mas para tê-la conosco e nos dar assim os meios de reinventar o cotidiano. A educação deve inicialmente ensinar a todos a mudar o tempo para sair do eterno presente fixado pelas imagens em círculo, e fazer mudar o espaço, isto é, a mudar no espaço, a sempre ir ver mais de perto e a não se nutrir exclusivamente de imagens e mensagens. É preciso aprender a sair de si, a sair de seu entorno, a compreender que é a exigência do universal que relativiza as culturas e não o inverso. É preciso sair do cerco culturalista e promover o indivíduo transcultural, aquele que, adquirindo o interesse por todas as culturas do mundo, não se aliena em relação a nenhuma delas. É chegado o tempo da nova mobilidade planetária e de uma nova utopia na educação. Mas só estamos no começo dessa nova história que será longa e, como sempre, dolorosa.”

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[ * ] Extraído de:
AUGÉ, Marc. “Por uma antropologia da mobilidade”. São Paulo: Editora UNESP e Maceió: edUFAL, 2010; pp. 107-109

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[ Fotos LUGAR SOCIAL / Raul Motta ]